2007-01-31

O Senhor Presidente do Conselho

António de Oliveira Salazar lidera a lista dos 10 maiores portugueses, com mais sete mil votos que o segundo classificado... Álvaro Cunhal.
Há quem lhe chame piada de mau gosto, há quem diga que foi uma campanha de votos em bloco dos militantes do PNR, que é o reflexo de um país que no fundo nada mudou em 33 anos.
Tenho para mim que o único diagnóstico possivel para o Portugal que vota nisto e vota assim é esquizofrenia pura e dura.
Senão vejamos a lista dos cinco primeiros classificados:
1º: Salazar - 19 mil votos
2º: Cunhal - 12 mil
3º: Aristides de Sousa Mendes - 5 mil
4º: D. Afonso Henriques- 2500 votos
5º: Camões - 2 mil

Atrás destes cinco, ainda há espaço para um pelotão com os nobres e esforçados Infante D.Henrique, D. João II, Fernando Pessoa, Vasco da Gama e Marquês de Pombal a correrem atrás do Prémio de Montanha.

Mas... Salazar?...
As nódoas dos fantasmas tristes e bolorentos custam muito a sair. A coisa não vai lá nem com os glutões do Presto. Esfregamos e esfregamos e batemos nas pedras do rio e levamos à pré-lavagem e juntamos aditivos. 33 anos de barrela não o conseguiram; continuamos a lavar à mão e com sabão macaco.
Mesmo que este top + mude, já nada nos tira a mancha de termos, durante semanas, o Senhor Presidente do Conselho a liderar este ranking, qual Vanessa Fernandes. Os espanhóis, os próprios alemães (que ainda não toleram nada bem nem as piadas ao bigode de Hitler) rir-se-iam de nós se soubessem que os pequenitos portugueses elegeram como o maior de entre os maiores, o homem sério que os atrasou mais de 30 anos em relação a eles.
Mas, como dizia a Hermínia Silva, neste país "o fado é que indunca; o vinho é que instrói."

7 Comments:

Blogger Ferdinand C said...

Os senhores políticos é que deveriam tirar lições desta votação.
33 anos de inépcia, incompetência, parolice e tachos chorudos.
Quem venceu o prémio montanha foi a democracia que temos, montanha de merda diga-se...
De alguma forma os alemães conseguiram dar a volta ao bigode do Hitler, nós ainda temos Portugal por cumprir, como as promessas em tempo de campanha.
Do Salazar temos a colher e as saudades... ah fado...

2:44 da tarde  
Blogger Stela said...

Acho muito triste este resultado. Mas nao acho que seja um problema exclusivo de Portugal, este anseio pelos "bons e velhos tempos". Encontro o mesmo aqui na Holanda, onde a viragem a direita eh cada vez mais obvia e a famosa tolerancia holandesa diminui dia a dia - o que esta relacionado com o aumento do numero de imigrantes, sobretudo de paises islamicos. Acho que este resultado eh um reflexo da falta de memoria das pessoas, sejam elas portuguesas ou nao. Se isso tambem eh culpa dos que governaram nos passados 30 anos, nao sei... Tivessemos nos uma "inducacao" como deve ser, faria alguma diferenca? A estupidez humana eh inata, infelizmente.

10:32 da manhã  
Blogger Stela said...

Queria so acrescentar que eh sempre um prazer ler as tuas "cronicas"! Gosto mesmo muito da tua escrita! Eh tipo "murro no estomago", me likes it :)

10:34 da manhã  
Blogger Bicho d'Ouvido said...

Querida Stela;

Há muitas luas que não te via por aqui! é sempre um prazer. Muito obrigado pelo teu comentário; uma lavagem ao ego destas é sempre boa a uma segunda feira. :)
Quanto à famosa memória curta, tenho que concordar que ela não é apenas uma questão nacional. Afinal de contas, como muito bem disse alguém no programa em causa, transmitido ontem pela RTP, são "só" 30 anos de democracia. O descrédito nas instituições e políticos actuais leva a isto. Uma "revolta" com efeitos retroactivos, um regresso saudosista ao tempo em que os políticos morriam sem fortuna pessoal, incorruptíveis, como Salazar e Cunhal, numa altura em que nos vemos rodeados de corruptos em quase todas as instituições.
Salazar construiu escolas mas governava com base numa política de ignorância. Um povo pouco culto e alfabetizado é sempre mais fácil de governar. Os níveis de analfabetistismo cairam drasticamente nos últimos 30 anos, mas a descredibilização da democracia é enorme. Além disso, sempre gostamos de figuras políticas fortes e autoritárias, de "paisinhos da Pátria" que nos dêem um sentido de que tudo está sob controlo. Somos demasiado dependentes de governos e governantes e passamos a vida a culpá-los de tudo, quando muita coisa poderia mudar com uma maior participação dos cidadãos na vida cívica, cultural, política. Resta saber para quando a emancipação e a maioridade da consicência política e democrática dos portugueses.

12:08 da tarde  
Blogger Stela said...

Eu passo quase sempre por aqui, quando ando pelos blogs (o que vai rareando... dois dias de seguida eh sinal de que nao me apetece trabalhar...). Nem sempre deixo comentario, mas aqui estou, do outro lado do ecran, a ler atentamente! Concordo inteiramente com o teu ultimo ponto e acrescento a minha preocupacao a tua pela imaturidade politica da nossa sociedade... Diz o meu primo de 23 anos: "Votar? Para que? Nao me importo com essas coisas..." De quem eh a culpa desta forma de pensar? Eh dificil dizer...
Beijinhos e ate a proxima!

12:41 da tarde  
Blogger Dasha said...

gostei da comparação da tua escrita com o murro no estómago:) Concordo:) Beijinhos, Bicho:) Também gosto muito da tua escrita!

10:12 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Se continuarmos a deixar fechar escolas, hospitais e esquadras de polícia...teremos sempre o "volta Salazar". A ignorância anda à solta!

10:13 da tarde  

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